Mostrando postagens com marcador cinema. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador cinema. Mostrar todas as postagens

domingo, 27 de dezembro de 2009

2009 em filmes


Os brasileiros que se interessam por cinema têm duas chances por ano de ver grande parte dos filmes mais relevantes da atualidade e poder vivenciar as discussões que estes geram mundo afora - os dois grandes festivais do segundo semestre. Se você não mora no Rio de Janeiro ou em São Paulo, quando parar pra pensar quais foram os melhores filmes que viu esse ano perceberá serem poucos os realmente produzidos em 2009. Confesso que não tenho idéia do que pesa na determinação da data de estréia de produções que não sejam adaptações de best-sellers, animações da Pixar ou novos capítulos de franquias milionárias, mas estou certo de que a demora pode determinar para o consumidor o que vai ser baixado da internet e o que vai ser visto na tela grande, além de gerar as anômalas listas de melhores do ano repletas de filmes de anos anteriores.

Sendo assim, faço duas listas:


1) Filmes essenciais produzidos em 2008 que não foram vistos a tempo de serem contemplados na recapitulação correspondente.

"35 rhums", de Claire Denis
"A Erva do Rato", de Júlio Bressane e Rosa Dias
"Gake no ue no Ponyo", de Hayao Miyazaki
"La mujer sin cabeza", de Lucrecia Martel
"Milk", de Gus Van Sant
"Two Lovers", de James Gray
"Vinyan", de Fabrice Du Welz

-


2) Filmes essenciais produzidos em 2009.

"Antichrist", de Lars von Trier
"Das weisse Band - Eine deutsche Kindergeschichte", de Michael Haneke
"Inglourious Basterds", de Quentin Tarantino
"Madeo", de Joon-ho Bong
"Politist, adj.", de Corneliu Porumboiu
"Ricky", de François Ozon
"The Box", de Richard Kelly
"The Limits of Control", de Jim Jarmusch
"Vincere", de Marco Bellocchio
"Where the Wild Things Are", de Spike Jonze

P.S.: Nada de Resnais em Curitiba. Ervas Daninhas, eleito filme do ano pela Cahiers du cinéma, vai ficar pra 2010.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Ervas Daninhas


Li por aí que estréia dia 25, mas apenas em São Paulo e Salvador. Parece que alguém da Imovision não lembra do sucesso de Medos Privados em Lugares Públicos e da ótima recepção do novo Resnais no festival de Cannes desse ano.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Considerações sobre filmes recentes (4)


"Madeo" (Joon-ho Bong, 2009)

Do-joon tem 28 anos, é mentalmente limitado e mora com a mãe superprotetora, que consegue sobreviver e cuidar do filho prestando serviços de medicina alternativa a vizinhos e conhecidos. É um tipo de curandeira solitária que vive em razão do filho; uma personagem marginal que tem consciência do lugar que os cabe no mundo, por isso se esforça em evitar que Do-joon entre em choque com o ambiente em que vivem. Uma garota é assassinada, Do-joon é preso como principal suspeito, e então, sentindo-se desamparada pela justiça e pela sociedade, a mãe promove uma investigação independente para provar a suposta inocência do filho. Apesar do próprio Do-joon não estar tão incomodado com a prisão, ela sente a obrigação de fazer tudo para libertá-lo. O diretor Joon-ho Bong extremiza para falar de algo natural, essa ilimitada disposição materna de proteger a cria e mostrar suas qualidades ao mundo, e o momento de maior clareza nessa intenção é quando a mãe - um personagem sem nome, todas em uma -, depois de finalmente ter seu filho libertado, fica cara a cara com o novo culpado: um jovem rapaz que fugiu do hospício e parece ser tão inofensivo quanto indefeso. Ela chora, e me faz pensar que se já é difícil estar deslocado no mundo, imagine sem uma mãe.

-



"Moon" (Duncan Jones, 2009)

O 2001 de Kubrick parece distante. Máquinas rebeldes já são uma idéia longínqua e os dilemas éticos da ciência hoje dizem respeito à engenharia genética e à neurociência. Em seu primeiro longa, Duncan Jones se afasta da ação e das catástrofes que marcaram boa parte das produções do gênero sci-fi nos últimos anos (até o problema da energia na Terra já está resolvido) e promove uma breve reflexão sobre algumas questões que devem ser consideradas quando se trata de progresso tecnológico. Não tem nada de odisséia, mas se muitos andam dizendo que a ficção científica do ano é Distrito 9, certamente merece ser visto.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Considerações sobre filmes recentes (3)


"Ricky" (François Ozon, 2009)

Ricky tem início com um conjunto de cenas clássicas. Somos apresentados à rotina da mãe solteira Katie e de sua filha Lisa, de sete anos; as duas encaram seus afazeres de maneiras distintas: enquanto a mãe é preguiçosa e sonhadora, a filha é preocupada e tenta ajudar no controle da situação; apesar disso, não há crise aparente, e sim um certo equilíbrio. Katie conhece Paco e os dois começam um relacionamento que se torna cada vez mais sério, até que ela engravida e tem mais um filho, o Ricky do título, que pouco depois revela-se uma criança "especial".

O mundo de Lisa entra em colapso, e tudo agora gira em torno de seu irmão. Notemos a distinção entre as duas camadas: o nascimento de Ricky toma proporções de milagre, mas a insatisfação de Lisa só cresce. A crise é causada pelo simples desejo de que tudo fique em seu devido lugar, Lisa não é infantil o bastante para ser vítima de ciúmes nem adulta o suficiente para aprender com os obstáculos, só quer de volta sua rotina. Ozon - ou o próprio Ricky, provando ser mais especial do que imaginamos - soluciona de maneira sublime esse conto, e os momentos de paz que seguem são nada menos que a razão de ser da obra.




"Paranormal Activity" (Oren Peli, 2007)

Um grande golpe comercial que também é uma afronta às grandes obras-primas do terror. Além de não ter envolvido nenhum esforço mental na sua construção, também não exige nada de quem o assiste. Não há nada para se fruir aqui, a não ser que você queira refletir sobre como funciona o mercado cinematográfico hoje.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Considerações sobre filmes recentes (2)

[Enquanto o Pocicast 04 não fica pronto...]


"Antichrist" (Lars von Trier, 2009)

A maior qualidade de Lars von Trier é a incoerência. Da trilogia Europa à televisão e à produção de filmes pornográficos, desta para a criação e breve contribuição ao Dogma95, depois um musical e então outra trilogia - que permanece inacabada -, a homogeneidade é uma característica que não consta em sua obra; a busca de um denominador comum talvez só mostre uma visão cruel sobre nossas relações com o meio, força propulsora de seu cinema e causa de sua frequente redução a mero provocador. Esse impulso também move Anticristo, sua mais recente produção, tão chocante quanto hipnotizante. Por trás de todos os "erros", da simbologia aparentemente aleatória às resoluções da trama, há uma crença no cinema como forma de expressão da espiritualidade ou, pelo menos, de um estado de espírito. Pensando assim, fica claro o porquê dele ter dedicado o filme a Tarkovsky.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Considerações sobre filmes recentes


"Inglourious Basterds" (Quentin Tarantino, 2009)

O primeiro capítulo de Bastardos Inglórios já marca uma revisão de conceitos (fórmulas?) da parte de Tarantino. Pela primeira vez podemos sentir emoções com um certo grau de profundidade, o que nos leva a pensar, de início, em amadurecimento. De fato, aqui há uma maior preocupação com a reflexividade, com os personagens e seus valores, e não apenas na construção de uma narrativa que dê conta das inúmeras referências que o autor queira incluir. Finalmente vemos personagens maiores que o próprio filme, e é devido a isso que suas ações atingem dimensões que - na fábula - podem redimir o cinema de anos de submissão a infâmias e caprichos vindos das organizações, da sociedade e dos próprios autores. Impossível não lembrar do garoto Florya, de Vá e Veja, atirando contra o retrato de Hitler e não sentir que finalmente a justiça foi feita. É literalmente a vingança do rosto gigante.




"District 9" (Neill Blomkamp, 2009)

Faz tempo que o cordeiro também aprendeu a vestir a pele do lobo. Distrito 9 não é nada além da evolução do filme-social-pega-gringo: que tal um elemento universal, algo que faça as pessoas refletirem sobre sua condição como seres humanos? Se há um comentário social ou algo a se aprender com filmes como esse, é que preferimos, lógico, um choque de valores confortável, que faça sentido e nos possibilite o retorno à "realidade" mais rapidamente. Iñárritu é prova viva. Sendo otimista, só resta a esperança de que em alguns anos esse se torne um dos principais exemplares do cinema trash da nossa época.



Em breve: Ricky, de François Ozon, e Anticristo, de Lars von Trier.

sábado, 22 de agosto de 2009

Brüno (Larry Charles, 2009)


Larry Charles e Sasha Baron Cohen continuam a testar os limites "morais" dos espectadores. As reações mundo afora, principalmente as negativas de quem aceitou Borat há três anos, apenas comprovam a necessidade de artistas tão ousados. Desconfie de quem não gostar.

domingo, 26 de julho de 2009

26 de julho


As imagens criadas por ele podem ter sido profanadas de todas as maneiras possíveis, mas é só uma consequência do poder que elas tiveram sobre a nossa memória coletiva. Hoje ele faria 81 anos.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Bavaria, 1961


Continuando a série de posts preguiçosos (falta tempo, juro), uma imagem preciosa que acabei de encontrar: Alain Resnais e Delphine Seyrig durante as filmagens de O Ano Passado em Marienbad.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

One way ticket take me anywhere



Sandra: It's not natural, is it?
Jamie: What ain't?
Sandra: A girl her age being into Mama Cass.
Leah: She's got a really beautiful voice.
Sandra: And what's wrong with Madonna?
Leah: She's a slag.
Sandra: Hypocrite.


Uma das várias cenas marcantes desse filme.

domingo, 3 de maio de 2009

"Galhos não se movem sozinhos"


Veró atropela um cachorro enquanto volta para casa. Esse é o ponto de partida da obra mais recente de Lucrecia Martel, "A Mulher sem Cabeça". A própria diretora, assustada com a reação negativa dos espectadores no Festival de Cannes do ano passado, afirmou tratar-se de seu filme mais explícito. De fato, seus sentidos talvez sejam tão óbvios que se pode traçar um paralelo entre os personagens e os espectadores que, enfurecidos, acusaram ao fim da projeção a artista de não ter chegado a lugar nenhum. É um estado de acomodação, de analfabetismo emocional e, por que não, de cegueira que não se espera de gente que se aventura em obras como essa, cuja única exigência é o comprometimento com a visão da personagem, uma maneira de enxergar que sofreu um forte solavanco e se posicionou em um lugar diferente.


Esse lugar que foi esperado e nunca chegou, porque estava ali, logo nos primeiros minutos, quando o acidente parece fundir as duas realidades distintas às quais somos apresentados antes mesmo de conhecer Veró: crianças brincando; a classe baixa ao ar livre e a classe média presa dentro de carros. Martel não joga conosco, desde a comparação óbvia entre os limites pré-estabelecidos para a juventude de acordo com o meio em que nascem, até a imagem perfeitamente nítida do cachorro atropelado deixado para trás, é um conjunto de elementos claros que geram nessa mulher que já viveu metade de sua vida uma enorme perplexidade quando são percebidos em sua totalidade. A partir do momento em que um cachorro fica indefeso diante de um carro, como também ficaria uma criança.


A perplexidade - que em muitos momentos se transforma em culpa - é o único guia do espectador, o sentimento de perceber que faz parte de um grupo que simplesmente nasce com privilégios, não os conquista e nem talvez os mereça, um grupo que é servido por outro para o qual essa relação de servidão parece ser a única alternativa e a encara sem sofrimento ou revolta, apenas como a própria natureza das coisas. Tamanha é a sofisticação de Martel como autora e de María Onetto como atriz, que conseguiram transformar essas descobertas do óbvio numa jornada psicológica minimialista que vai muito além - na forma e no conteúdo - da tradição latina de filme social.

quinta-feira, 23 de abril de 2009


Foram divulgados os filmes que serão exibidos no festival esse ano, bem como os participantes do júri, que será presidido por Isabelle Huppert. Impossível não se animar vendo Resnais (não era selecionado desde 1980, por "Meu Tio da América") junto com Tarantino, Von Trier, Bellochio, Haneke, Tsai e outros. Muitas expectativas e curiosidade pra ver, por exemplo, se esse primeiro Sam Raimi depois dos três "Homem-Aranha" é digno; ou se Heitor Dhalia finalmente fez algo notável. O cartaz remete a "A Aventura", de Antonioni, uma obra que merece sempre ser revisitada.

sábado, 11 de abril de 2009

O amor segundo Kieslowski











Não Amarás (Krzysztof Kieslowski, 1988)

sexta-feira, 6 de março de 2009

Watchmen (Zack Snyder, 2009)


É louvável que uma experiência como essa veja a luz do dia. Snyder pode não ser um visionário, mas é muito ousado em se aventurar a fazer um filme desse tamanho sem ter um público específico ao qual se direcionar, afinal, os fãs de quadrinhos estão muito ocupados discutindo a fidelidade na adaptação e vários fatores excluem outros grupos (temática, longa duração, personagens desconhecidos, proibição para menores). O resultado é impreciso, com momentos de inspiração e originalidade que surpreendem (introdução, créditos iniciais e o tão temido final inédito - bastante coeso, prova de que Snyder não é um qualquer), um roteiro confuso (preguiça de elaborar mais e medo de deixar a fonte de lado) e sequências-lixo dignas de dos piores filmes do gênero (a maior parte delas é de pancadaria exagerada). Essa ousadia em pequena dose o deixa no mesmo patamar de Sin City, cuja emoção reside apenas na imagem-movimento: é apenas mais um filme irrelevante.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

"Who watches the Watchmen?"


Há alguns dias reli Watchmen, a graphic novel que desconstrói o universo dos super-heróis, o nicho mais característico e explorado da arte sequencial. Criada por Alan Moore, ilustrada por Dave Gibbons e publicada pela primeira vez em 1986 pela DC Comics, a obra tem início numa década de 80 alternativa, com a investigação do assassinato (mostrado através de flashbacks) do Comediante, um vigilante mascarado de conduta e valores duvidosos que trabalhou para o governo americano no Vietnã. Aos poucos somos apresentados aos personagens, quase todos "heróis" que se aposentaram da luta contra o crime - devido, em parte, a uma lei que proibiu suas ações - e tiveram que encontrar alternativas para sobreviverem. São esses personagens que dão o caráter de definitiva à obra, já que servem de panorama para os diversos tipos abordados pela Nona Arte através dos anos, desde as pessoas comuns que se fantasiam à noite, homens superdotados e seres com capacidades além da compreensão humana. A idéia inicial era utilizar alguns heróis criados nos anos 60, mas o final da narrativa os deixaria inutilizáveis posteriormente, então o próprio Moore os criou, todos com semelhanças aos que os antecederam, proporcionando uma experiência familiar ao leitor já acostumado com o universo. É interessante pensar num projeto desse sendo adaptado para o cinema, já que os melhores momentos que a abordagem cinematográfica do tema nos reserva também desconstruiram a maneira de se fazer filmes sobre heróis: Unbreakable, que não se baseou em nada prévio, Batman Begins e The Dark Knight, que buscaram uma maior plausibilidade. Resta saber se a adaptação de Watchmen - que já passou pelos planos de tantos diretores de respeito como Terry Gilliam e Darren Aronofsky - será tão definitiva quanto a obra original, e se seus reflexos nas produções posteriores, se existirem, serão positivos.

Alguns trechos:







terça-feira, 30 de dezembro de 2008

"2008 em filmes"


Fazer um balanço geral e eleger os melhores filmes do ano é mais difícil que falar da cena musical, já que o acesso a filmes novos é bem mais restrito e o próprio ato de ver e pensar cinema requer bem mais do que se imagina. Então, revendo a lista de filmes vistos este ano, percebi que a maioria das obras que me marcaram de alguma maneira é de 2007, e se fosse reduzir a lista a dez nomes, só restariam 2 de 2008: Blindness e The Happening. O primeiro, mesmo com sua sociologia um tanto defasada, problemas graves como a trilha sonora e os trechos de uma narração tão completamente inútil que quase saiu de cena, ainda assim é motivo de orgulho num ano em que diretores brasileiros nos deram produções vergonhosas como Linha de Passe e Feliz Natal; enquanto no ano passado tivemos Falsa Loura (!), Jogo de Cena (!) e Cleopátra, esses sim, inesquecíveis obras que só pude ver em 2008 e obrigatoriamente integram a lista. The Happening, para o desgosto dos críticos, trouxe Shyamalan ainda nadando contra a corrente do cinema americano, no seu filme mais inacreditável e que, de minha parte, até mereceu revisão. Um "objeto não-identificado" no meio de tanta apatia.
Os Coen e Woody Allen, que estiveram presentes tanto em 2007 quanto em 2008, foram melhores ano passado. No Country for Old Men melhora a cada revisão e, opostamente à naturalidade de Burn After Reading, me parece uma obra mais pensada e mais exigente. Cassandra's Dream também é o oposto de Vicky Cristina Barcelona, o primeiro sendo um dos filmes mais sombrios de Allen, que choca pela simplicidade, e o outro sendo um de seus filmes mais deliciosamente leves. Dói um pouco deixar o mais recente fora da lista, já que ambos são pontos altos do Allen pós-2000.
Meus queridos Julio Medem, Wes Anderson e Fatih Akin também entram para a lista com suas produções de 2007. Caótica Ana é de uma abertura espantosa, fruto de alguém que pensa cinema de uma maneira bastante livre de qualquer tipo de conceito concreto; The Darjeeling Limited foi um dos momentos mais inspirados e sensíveis da carreira de Anderson, trazendo tudo que os seguidores dele adoram e os detratores odeiam; e Auf der anderen Seite (no Brasil, Do Outro Lado) me proporcionou emoções verdadeiras, algo que geralmente filmes com dramas socio-políticos aliados a familiares tentam fazer sem sucesso.