sábado, 11 de abril de 2009

O amor segundo Kieslowski











Não Amarás (Krzysztof Kieslowski, 1988)

sexta-feira, 3 de abril de 2009

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Recomendações

Alguns discos lançados recentemente:

Dan Deacon - Bromst: Muito sobre esse disco pode ser inferido só olhando para sua capa (ao lado). Tão hiperativo quanto Spiderman of the Rings (2007), mas extremamente orgânico, uma expansão de horizontes para Deacon, que se firma como um dos melhores nomes da música pós-2000.






Röyksopp - Junior: Ridiculamente pop. E delicioso.






Swan Lake - Enemy Mine: Só por juntar três dos mais notáveis e prolíficos nomes do rock independente canadense, esse projeto já mereceria atenção. O álbum (o segundo deles) me surgiu como um caso pessoal de amor à primeira audição - culpa da primeira faixa - mas a verdade é que aqui estão algumas das melhores canções que ouvi no ano.






Wavves - Wavvves: Uma pérola que só poderia ter nascido em tempos como o nosso, no qual as grandes gravadoras ditam no máximo a programação da MTV.



segunda-feira, 30 de março de 2009

Festival de Curitiba 2009


Acabou ontem a décima oitava edição do festival de teatro, que contou com mais de 300 espetáculos nos 10 dias de programação. As opções eram muitas, de Jô Soares a Gerald Thomas, mas infelizmente meu comprometimento acadêmico e a vinda do Radiohead ao Brasil não me permitiram aproveitar muito e só tive oportunidade de conferir duas das várias montagens. Optei por pouco convencionais: Oceano no sábado (28) e Sin Sangre no domingo (29). A primeira aconteceu na Ópera de Arame, um ótimo lugar para o conceito do espetáculo (teatro + circo), e os próprios atores comentaram que era um sonho realizado trabalhar ali. A peça, uma bela reflexão sobre o viver e o aventurar-se, é tão genuinamente divertida que os 100 minutos de duração passam voando. Já a segunda, produção chilena, tem zero de alegria e inocência, apesar do público equivocado ter se divertido com os palavrões. Se trata de uma montagem multimídia elaboradíssima que adapta um romance de Alessandro Baricco, cujo projeto City (livro-peça-disco) eu já conhecia. No primeiro ato - a lembrança de um assassinato premeditado - o foco é na ação e no efeito visual, depois disso somos levados ao encontro entre dois envolvidos no ocorrido, 40 anos depois, e toda a atenção é voltada para o texto maravilhoso de Baricco, num longo diálogo que tem traços do cinema/dissecação da memória de Resnais. A peça é imperdível e ficará em cartaz em São Paulo, no SESC Vila Mariana de 3 a 5 de abril.
Mais fotos aqui, por Daniel Sorrentino.

sábado, 21 de março de 2009

"This will be on my videotape"


Thom Yorke meditando em Ipanema.


Até segunda!

Radiohead no Rio


Setlist:

01. 15 Step
02. Airbag
03. There There
04. All I Need
05. Karma Police
06. Nude
07. Weird Fishes/Arpeggi
08. The National Anthem
09. The Gloaming
10. Faust Arp
11. No Surprises
12. Jigsaw Falling Into Place
13. Idioteque
14. I Might Be Wrong
15. Street Spirit (Fade Out)
16. Bodysnatchers
17. How to Disappear Completely
18. Videotape
19. Paranoid Android
20. House of Cards
21. Just
22. Everything in its Right Place
23. You and Whose Army?
24. Reckoner
25. Creep

Outro ótimo setlist, mas apesar de I Might Be Wrong e How to Disappear Completely, não superou o da segunda apresentação na Cidade do México. Espero que siga a mesma lógica aqui no Brasil!

terça-feira, 17 de março de 2009

Bonnie "Prince" Billy - Beware


Quando fiz a retrospectiva musical de 2008, comentei o fato de Will Oldham estar num momento de sua carreira em que suas escolhas estéticas refletem o tamanho da sua experiência. Sua música é totalmente influenciada pelo folk/country tradicional americano, mas é composta e arranjada de maneira tão antiquada que se torna exótica, esquisita, que subverte. Gosto de pensar sobre os porquês de certos artistas se expressarem através de certas maneiras, e Oldham ganhou o status que tem hoje porque encontrou uma voz única para se expressar.





Radiohead no México, segundo dia


Certamente um dia inesquecível para quem estava no Foro Sol. Não é o meu caso. Fica a esperança por um setlist como este para a apresentação em São Paulo, devido ao grande número de momentos épicos: Talk Show Host, You And Whose Army?, Climbing Up the Walls, How To Disappear Completely, Dollars & Cents e Like Spinning Plates. Se continuarem variando tanto, não custa nada esperar por Morning Bell ou In Limbo por aqui.

segunda-feira, 16 de março de 2009

Radiohead no México


Acabou há alguns minutos a primeira apresentação da turnê latino-americana do Radiohead. Um setlist com grande presença de músicas do In Rainbows, supresas boas (No Surprises, ironicamente) e ruins (apenas uma música do Amnesiac). Não reclamo do disco mais recente, mas poderiam ter tocado menos The Bends.
Setlist completo e quase perfeito aqui.
A foto acima - Thom Yorke no aeroporto da Cidade do México - foi retirada daqui.

sexta-feira, 6 de março de 2009

Watchmen (Zack Snyder, 2009)


É louvável que uma experiência como essa veja a luz do dia. Snyder pode não ser um visionário, mas é muito ousado em se aventurar a fazer um filme desse tamanho sem ter um público específico ao qual se direcionar, afinal, os fãs de quadrinhos estão muito ocupados discutindo a fidelidade na adaptação e vários fatores excluem outros grupos (temática, longa duração, personagens desconhecidos, proibição para menores). O resultado é impreciso, com momentos de inspiração e originalidade que surpreendem (introdução, créditos iniciais e o tão temido final inédito - bastante coeso, prova de que Snyder não é um qualquer), um roteiro confuso (preguiça de elaborar mais e medo de deixar a fonte de lado) e sequências-lixo dignas de dos piores filmes do gênero (a maior parte delas é de pancadaria exagerada). Essa ousadia em pequena dose o deixa no mesmo patamar de Sin City, cuja emoção reside apenas na imagem-movimento: é apenas mais um filme irrelevante.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Para refletir


"'Cause DJing, next to video game tester, may be the most ridiculous, simplest, easiest, most overpaid job on the planet." - James Murphy em Part of the Weekend Never Dies.

Um dia eu chego no seu patamar, sr. Murphy.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Black Lips - 200 Million Thousand


Good Bad Not Evil não foi apenas um dos meus hits pessoais de 2007, como ainda hoje o ouço com muito prazer. Durante as 15 faixas de seu sucessor, 200 Million Thousand, o quarteto garageiro Black Lips constrói um disco bastante abrangente, vagando por diversas referências e influências. A solidez e a "alegria" do álbum anterior não fazem falta; encontramos aqui a banda cambaleando numa sonoridade esparsa com lugar para tons mais sombrios, e entre tormentos, euforia e uma certa inocência, se revela uma obra extremamente satisfatória em sua imperfeição.





Ouça inteiro aqui.

sábado, 21 de fevereiro de 2009

Hoje!


Só com esse flyer pra Pocilga entrar no clima do carnaval! Abaixo, como de costume, uma amostra do que está por vir hoje à noite:



Apareçam!

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Hoje!


Meu retorno ao lugar onde tudo começou, ao lado de ilustres! Abaixo, uma pequena amostra da parte que me cabe:



Apareçam!

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

When I Grow Up




Segundo vídeo do projeto solo de Karin Dreijer, cujo disco já foi devidamente recomendado aqui. Dirigido por Martin de Thurah.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

"Who watches the Watchmen?"


Há alguns dias reli Watchmen, a graphic novel que desconstrói o universo dos super-heróis, o nicho mais característico e explorado da arte sequencial. Criada por Alan Moore, ilustrada por Dave Gibbons e publicada pela primeira vez em 1986 pela DC Comics, a obra tem início numa década de 80 alternativa, com a investigação do assassinato (mostrado através de flashbacks) do Comediante, um vigilante mascarado de conduta e valores duvidosos que trabalhou para o governo americano no Vietnã. Aos poucos somos apresentados aos personagens, quase todos "heróis" que se aposentaram da luta contra o crime - devido, em parte, a uma lei que proibiu suas ações - e tiveram que encontrar alternativas para sobreviverem. São esses personagens que dão o caráter de definitiva à obra, já que servem de panorama para os diversos tipos abordados pela Nona Arte através dos anos, desde as pessoas comuns que se fantasiam à noite, homens superdotados e seres com capacidades além da compreensão humana. A idéia inicial era utilizar alguns heróis criados nos anos 60, mas o final da narrativa os deixaria inutilizáveis posteriormente, então o próprio Moore os criou, todos com semelhanças aos que os antecederam, proporcionando uma experiência familiar ao leitor já acostumado com o universo. É interessante pensar num projeto desse sendo adaptado para o cinema, já que os melhores momentos que a abordagem cinematográfica do tema nos reserva também desconstruiram a maneira de se fazer filmes sobre heróis: Unbreakable, que não se baseou em nada prévio, Batman Begins e The Dark Knight, que buscaram uma maior plausibilidade. Resta saber se a adaptação de Watchmen - que já passou pelos planos de tantos diretores de respeito como Terry Gilliam e Darren Aronofsky - será tão definitiva quanto a obra original, e se seus reflexos nas produções posteriores, se existirem, serão positivos.

Alguns trechos:







sábado, 31 de janeiro de 2009

Hoje!


Uma pequena amostra da parte que me cabe hoje à noite no Centro de Artes Boemia!



Apareçam!

sábado, 24 de janeiro de 2009

Recomendações - Discos novos

Aidan Moffat and the Best-Ofs - How to Get to Heaven from Scotland (2009): Depois do fim do Arab Strap, Malcolm Middleton e Aidan Moffat continuaram trabalhando bem, e no sucessor do disco/livro erótico I Can Hear Your Heart (de Moffat, 2008) encontramos músicas menos carregadas e com mais "finais felizes", como o próprio Moffat definiu. Boa surpresa nesse início de ano.



The Whitest Boy Alive - Rules (2009): O projeto paralelo (um dos muitos) de Erlend Øye evoluiu bastante desde Dreams (2006). Já na faixa de abertura de Rules, percebemos que é um disco bem mais criativo e elaborado que o de estréia.



Vetiver - Tight Knit (2009): Agora posso me redimir de não ter ouvido o álbum de covers que lançaram ano passado. Tight Knit não é tão livre quanto To Find Me Gone (2006), mas é completamente satisfatório e surpreende em muitos momentos.



Antony and the Johnsons - The Crying Light (2009): Apesar de começar com a música errada (Twilight e Hope There's Someone, que abrem os discos anteriores, são duas das melhores composições de Hegarty), a primeira metade desse álbum chega muito próxima da perfeição. As três faixas que seguem a música título pecam por excessos de personalidade, um mal que acomete músicos com visões peculiares do mundo à sua volta, mas felizmente o final da audição nos reserva duas pérolas.



Fever Ray - Fever Ray (2009): Projeto solo de Karin Dreijer, do The Knife, mais sombrio e carregado do que estávamos acostumados a ouvir nos trabalhos da dupla. Ao se distanciar das pistas, Karen fez um trabalho de impressionante intimismo.

domingo, 18 de janeiro de 2009

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Sobre rupturas


Chegamos no último ano da década que começou com Kid A e vai terminar com as primeiras apresentações do Radiohead no Brasil. A notícia de que teremos que aturar Los Hermanos (devo admitir, infelizmente, que já foi-se o tempo e a paciência - ainda mais depois do Little Joy) e Vanguart não interfere na euforia que se apodera de qualquer ser demasiado humano que tenha sido afetado de qualquer mínima maneira pelas rupturas propostas (e devidamente executadas) pela maior banda do mundo há dez anos.

E não há pontapé inicial melhor para o último ano antes de uma década novinha em folha do que Merriweather Post Pavillion, que mostra o próximo passo na evolução musical proposta pelo Animal Collective. Como o Radiohead do início dos anos 2000, é impossível dizer se eles fazem música pop, rock, folk ou música eletrônica, consequência do trânsito nos limites musicais "aceitáveis" pelo mercado atualmente. Consideremos nesta comparação uma escala bem menor, já que de dez anos pra cá a indústria e o consumo da música mudaram completamente (impossível não pensar nos ingleses novamente) e hoje projetos pequenos podem fazer muita diferença.

O Animal Collective nunca soou como uma "banda", mas há algum tempo vinha enquadrando sua sonoridade numa moldura pop e se diferenciando dos inúmeros que resolveram se aventurar por ela, o que culminou no eufórico Strawberry Jam. No sucessor deste impecável trabalho de dois anos atrás, o coletivo mostra a leveza e a liberdade de quem não precisa se esforçar para fazer algo que seja ao mesmo tempo ruptura e fidelidade, aliando a fase mais melódica em que se encontram com climas já explorados anteriormente. Ecos de Infant Dressing Table, Visiting Friends, Did You See the Words e Flesh Canoe podem ser ouvidos durante todo o disco, como se estas tivessem se transformado em inesquecíveis canções pop.

Poderia me abster de afirmar que existe sim uma evolução em tudo isso, mas meu conceito de evolução me permite relacionar esta idéia a qualquer expressão (seja ela artística, científica ou até mesmo religiosa) capaz de mudar a visão que acabamos construindo para tudo, e certamente é o que a música do Animal Collective tem feito, com a extrema originalidade que já rendeu rótulos novos e seguidores não tão interessantes.